Certidão vintenária, trintenária ou dominial: Saiba mais sobre essas opções de documentos!

Escrito por Giuliane Bonetti
Publicado em 2 de julho de 2023
certidão vintenária

Comprar, vender ou financiar um imóvel exige mais do que verificar a escritura: é preciso comprovar, documentalmente, que a propriedade está livre de pendências. É nesse momento que surgem três documentos frequentemente confundidos entre si — a certidão vintenária, a certidão trintenária e a certidão dominial (também chamada de certidão de cadeia dominial). Embora todas tenham a função de mostrar o histórico de um imóvel, elas se diferenciam pelo período de abrangência, pelo tipo de informação que trazem e pelas situações em que costumam ser exigidas.

O que é a cadeia dominial de um imóvel

Antes de diferenciar as três certidões, vale entender um conceito que aparece nas três: a cadeia dominial. Trata-se da sequência histórica de todos os proprietários que um imóvel teve, registrada na matrícula do cartório de registro de imóveis, desde a titulação original — muitas vezes concedida pelo Poder Público, como Estado ou INCRA — até o proprietário atual. É justamente essa cadeia que as certidões vintenária, trintenária e dominial retratam, cada uma com um recorte diferente de tempo e profundidade.

Certidão Vintenária: o que é e para que serve

A certidão vintenária é o documento que reúne o histórico de um imóvel nos últimos 20 anos. É a certidão mais solicitada em transações imobiliárias, principalmente em processos de compra, venda e financiamento bancário.

Entre as informações que costumam constar na certidão vintenária, destacam-se:

  • Proprietários anteriores, permitindo identificar a cadeia dominial do período
  • Transações realizadas — compras, vendas, doações e demais operações que alteraram a titularidade
  • Ônus e gravames, como hipotecas, penhoras ou outras restrições legais e financeiras
  • Alterações no imóvel, como desmembramentos, unificações ou mudança de finalidade de uso
  • Pendências judiciais que possam afetar a regularidade da propriedade

Na prática, imagine alguém interessado em comprar um imóvel: ao solicitar a certidão vintenária, é possível descobrir se existe um processo judicial em andamento envolvendo aquele bem — informação que pode mudar completamente a decisão de compra. Por isso, ela funciona como uma espécie de raio-x da propriedade nas duas últimas décadas.

Certidão Trintenária

A certidão trintenária segue a mesma lógica da vintenária, mas amplia o período pesquisado para 30 anos. Ela é indicada quando é necessário uma análise mais profunda do histórico do imóvel — por exemplo, em disputas de propriedade, processos de regularização mais complexos ou quando a vintenária não é suficiente para esclarecer dúvidas sobre a titularidade.

Assim como a vintenária, a trintenária traz proprietários anteriores, ônus, hipotecas, penhoras e ações judiciais, mudando apenas a janela de tempo coberta pela pesquisa — dez anos a mais de histórico documental.

Se você está envolvido em transações imobiliárias ou deseja conhecer o histórico de um imóvel, essa certidão se torna um recurso valioso. Veja como solicitá-la através do guia a seguir:

  1. Acesse o site
  2. Adicione seus dados pessoais para cadastro futuro.
  3. Localize a opção de emissão de certidões imobiliárias
    1. Importante: A certidão dominial não é emitida por todos os cartórios do Brasil.
  4. Escolha a opção de certidão e preencha os campos necessários com as informações do imóvel em questão.
  5. Realize o pagamento das taxas de emissão.

Aguarde o processamento da solicitação; a certidão será enviada para o endereço de e-mail fornecido durante o pedido.

Certidão Dominial (Certidão de Cadeia Dominial): o histórico completo do imóvel

Diferente das duas anteriores, a certidão dominial não trabalha com um período fixo de anos. Ela reconstrói toda a sequência de proprietários de um imóvel, desde o registro original da matrícula até o momento presente — o que pode significar décadas ou até mais de um século de histórico, dependendo de quando o imóvel foi registrado pela primeira vez.

Por reunir um levantamento mais extenso, essa certidão costuma abranger mais de um cartório de registro de imóveis quando o imóvel passou por desmembramentos ou mudanças de circunscrição ao longo do tempo. Ela é especialmente relevante para:

  • Comprovar a legitimidade da propriedade e evitar fraudes em transações
  • Processos de usucapião, quando é preciso demonstrar toda a cadeia de titularidade
  • Regularização fundiária, sobretudo de imóveis rurais e casos que envolvem reforma agrária
  • Inventários e sucessões, para confirmar a origem legítima do bem

Um ponto importante: nem todo cartório emite certidão dominial, já que o levantamento é mais trabalhoso e detalhado. Antes de solicitar, vale confirmar diretamente com o cartório responsável pela matrícula do imóvel se esse serviço está disponível.

Vintenária x Trintenária x Dominial: tabela comparativa

A tabela abaixo resume as principais diferenças entre as três certidões para facilitar a escolha:

Vintenária vs Trintenária vs Dominial tabela comparativa

Quando cada certidão é exigida na prática

Compra e venda de imóveis

Nesse tipo de transação, a certidão vintenária costuma ser suficiente para dar segurança tanto ao comprador quanto ao vendedor, revelando ônus, ações judiciais e mudanças de titularidade nas últimas duas décadas.

Financiamento bancário

Instituições financeiras normalmente exigem a certidão vintenária (em alguns casos, a trintenária) com data de emissão recente — geralmente até 30 dias — para avaliar o risco da operação antes de liberar o crédito.

Usucapião

Em processos de usucapião, é comum a exigência da certidão vintenária para comprovar posse e ausência de contestação por tempo relevante, podendo ser complementada pela certidão dominial para demonstrar a cadeia completa de titularidade.

Inventário e regularização fundiária

Quando o objetivo é confirmar a origem legítima do imóvel ao longo de gerações, ou regularizar propriedades rurais, a certidão dominial é a mais indicada por não se limitar a um período fixo de tempo.

Documentos necessários para solicitar a certidão

De modo geral, para solicitar qualquer uma das três certidões é preciso reunir:

  • Número da matrícula do imóvel
  • Cartório de registro de imóveis onde o bem está registrado
  • Endereço completo do imóvel
  • Nome completo do(s) proprietário(s) atual(is)
  • Dados pessoais de quem está solicitando (para cadastro e envio do documento)

Como solicitar a certidão vintenária, trintenária ou dominial

O pedido pode ser feito de forma prática, sem a necessidade de ir presencialmente ao cartório:

  • Acesse a plataforma de solicitação de certidões
  • Cadastre seus dados pessoais
  • Localize a opção de emissão de certidões imobiliárias
  • Escolha o tipo de certidão (vintenária, trintenária ou dominial) e preencha as informações do imóvel
  • Realize o pagamento da taxa de emissão
  • Aguarde o processamento — a certidão é enviada para o e-mail informado no pedido

Vale lembrar que, para a certidão dominial, é recomendável confirmar antes se o cartório responsável pelo imóvel realiza esse tipo de emissão, já que nem todos oferecem o serviço.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre certidão vintenária e certidão trintenária?

A diferença está apenas no período de abrangência: a vintenária cobre os últimos 20 anos do histórico do imóvel, enquanto a trintenária cobre os últimos 30 anos. Ambas trazem o mesmo tipo de informação — proprietários, ônus, hipotecas, penhoras e ações judiciais —, mudando apenas a janela de tempo pesquisada.

Certidão dominial é a mesma coisa que certidão vintenária?

Não. A certidão dominial (ou certidão de cadeia dominial) não tem um recorte fixo de tempo: ela reconstrói toda a sequência de proprietários do imóvel desde o registro original até hoje. Já a vintenária e a trintenária têm períodos fixos, de 20 e 30 anos respectivamente.

Qual certidão é exigida para financiamento imobiliário?

Bancos costumam exigir a certidão vintenária (ou, em alguns casos, a trintenária) com emissão de até 30 dias, para verificar se o imóvel está livre de ônus, hipotecas e ações judiciais antes de liberar o crédito.

Todo cartório emite certidão dominial?

Não. Diferentemente da vintenária e da trintenária, a certidão dominial não é emitida por todos os cartórios de registro de imóveis do Brasil, pois exige um levantamento mais detalhado do histórico da matrícula. É importante confirmar a disponibilidade no cartório responsável pelo imóvel antes de solicitar.

Quanto tempo demora para emitir a certidão vintenária, trintenária ou dominial?

O prazo varia conforme o cartório e a complexidade do histórico do imóvel, mas em geral a vintenária e a trintenária ficam prontas em poucos dias úteis, enquanto a dominial pode levar um pouco mais, já que envolve uma pesquisa mais extensa da cadeia de proprietários.

Qual certidão usar em um processo de usucapião?

Para usucapião, a certidão vintenária costuma ser a mais utilizada, pois comprova a posse e a ausência de contestação por período relevante. Em alguns casos, a certidão dominial também é solicitada para demonstrar toda a cadeia de titularidade do imóvel.

Conclusão

A certidão vintenária, a trintenária e a dominial cumprem o mesmo propósito — dar transparência ao histórico de um imóvel —, mas se diferenciam pelo período coberto e pelo nível de detalhe da pesquisa. A vintenária (20 anos) atende à maioria das transações de compra, venda e financiamento; a trintenária (30 anos) entra em cena quando é preciso ir um pouco mais fundo no histórico; e a dominial é a opção mais completa, reconstruindo toda a cadeia de proprietários desde a origem da matrícula.

Entender essas diferenças evita pedidos equivocados, retrabalho e atrasos em negociações imobiliárias — e garante que você solicite exatamente o documento certo para a sua situação.

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